NutriSaúde

Valores: Ênfase na interdisciplinaridade.

NutriSaúde

Valores: Ética, integridade e responsabilidade na discussão e difusão de conhecimentos.

NutriSaúde

Valores: Transparência nas relações.

domingo, 4 de setembro de 2011

Nutrição no hipotireoidismo

O sistema endócrino humano possui como glândula mais influente a hipófise, que é responsável pelo transporte de hormônios regulatórios, produzidos pelo hipotálamo, para que estimulem a atividade de outras glândulas, como a tireóide. O hipotálamo estimula a glândula da hipófise a partir do hormônio liberador de tireotrofina (TRH), que estimula a glândula tireóidea, localizada na região do pescoço, através do hormônio estimulador da tireóide (TSH) a produzir os hormônios tireoidianos (T4 – tiroxina e T3 – triiodotironina) (CERQUEIRA; SILVA; CHAGAS, 2007).
Os hormônios tireoidianos possuem importante papel para o equilíbrio do organismo, atuando em todos os órgãos e vias metabólicas e seus principais efeitos compreendem o desenvolvimento de vários tecidos (como o sistema nervoso central), consumo de oxigênio, regulação da temperatura corporal, freqüência cardíaca e metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos (BARRA et al., 2004).
A principal forma secretada pela glândula tireóidea é do T4 (3,5,3’,5’-tetraiodo Ltironina) e em menor concentração o T3 (3,5,3’ triiodotironina), que é considerada a forma ativa do hormônio. A principal forma de produção de T3 é através da conversão do T4 em T3 por meio da deiodinase nos tecidos periféricos (BARRA et al., 2004).
O hipotireoidismo é uma condição patológica em que a glândula da tireóide produz hormônio tireoidiano em concentração insuficiente para a manutenção do equilíbrio orgânico, sendo uma condição crônica e particularmente prevalente em mulheres e indivíduos idosos (MCMILLAN et al., 2008).
Como conseqüências desta redução de hormônios tireoidianos surgem sintomas clássicos como a lentidão de movimentos, cansaço, baixa energia, alterações na aparência e na voz, ganho de peso, intolerância ao frio, redução da libido e constipação. Sintomas neuromusculares também são comuns como rigidez muscular, câimbras e cansaço fácil, além de alta morbidade neuropsiquiátrica com o desenvolvimento de depressão (MCMILLAN et al., 2008).
Alguns autores associam que os níveis hormonais tireoidianos são dependentes do status nutricional da dieta (NAVES, 2010). Segundo Kopp (2004), as concentrações séricas dos hormônios da tireóide, especialmente de T3, são dependentes da quantidade de carboidratos na dieta. Dietas ricas em carboidratos estão associados significativamente a maiores concentrações séricas de T3, em comparação a dietas com baixa concentração de carboidratos. Ressaltamos, entretanto, a importância do consumo de carboidratos de fontes integrais, para que possam melhorar a resposta glicêmica e insulinêmica do indíviduo, evitando o risco de resistência à insulina e outras condições patológicas associadas.
O iodo é um mineral essencial para a síntese dos hormônios tireoidianos, que é encontrado em especial no ambiente marítimo, com escassez no ambiente terrestre. Logo, importantes fontes alimentares de iodo são peixes e algas marinhas. Em função da escassez de iodo nas fontes alimentares terrestres e da elevada incidência de doenças como bócio, cretinismo e hipotireoidismo, a Organização Mundial de Saúde estabeleceu a iodação do sal, sendo considerada recomendação internacional (NAVES, 2010) para evitar o aumento dessas condições patológicas.
Quando o iodo é absorvido pela tireóide, este necessita ser transformado em sua forma orgânica, pois a forma absorvida na região intestinal é inorgânica como iodeto. Na região do citoplasma do folículo tireoideo o Iodo orgânico será “associado” à tireoglobulina para formação do MIT (monoiodotirosina)  e DIT (diiodotirosina) – Figura 1. A “união” de dois DITs na região do colóide formará o hormônio T4, e a junção de MIT mais DIT o hormônio T3. Para que essa reação ocorra, faz-se necessária a ação da peroxidase, que é uma enzima dependente de Ferro. Logo, indivíduos deficientes em ferro não produzirão adequadamente os hormônios tireoidianos.  
Para que os hormônios T4 possam ser transformados na forma ativa T3, já que a tireóide produz em maior concentração o T4, são necessárias ações enzimáticas, normalmente na região do fígado e rins, através das deiodinases ou desiodinases, que são enzimas que possuem como cofator o Selênio.Sendo assim, indivíduos deficientes em selênio não possuem a transformação adequada do hormônio tireoidiano em sua forma ativa (T3).

Figura 1 – Representação esquemática da conversão de T4 em T3
 
Os hormônios tireoidianos atuam através de receptores nucleares para modular a expressão gênica (LINDSAY, 1997), e assim desenvolver suas ações. Na conformação do receptor está presente o Zinco, apresentando a importância deste para que sejam realizadas as funções da triiodotironina (T3) (BLEICHER, 2005). Considerando a referida afirmação, a deficiência de zinco pode reduzir o número de receptores nucleares para o hormônio tireoidiano, minimizando a ação metabólica esperada para tal hormônio.
Alguns alimentos possuem características bociogênicas dificultam a produção dos hormônios tireoideos, em especial aqueles fontes de glicosinolatos e de isoflavonas. Os glicosinolatos são encontrados nos vegetais da família das Brassicas, sendo representados pelos tiocianatos e isotiocianatos. A presença destes compostos inibe a captação de iodo pela tireóide (PONTES; ADAN, 2006) por interferir na atividade da peroxidase (Figura 1). As principais fontes de glicosinolatos são brócolis, couve manteiga, couve de bruxelas, couve flor, repolho, rúcula. Portanto, indivíduos com hipotireodismo devem ter um cuidado especial na seleção e quantidades de alimentos a serem consumidos.
A soja também é um alimento que deve ser consumido com critérios por portadores de hipotireoidismo,  por conter algumas substâncias antinutricionais como fitatos, inibidores de proteases, genisteína e goitrogênicos, que afetam a absorção do iodo em nível intestinal, inibindo por consequência a produção dos hormônios tireoidianos (PONTES; ADAN, 2006). As isoflavonas (genisteína e daidzeína) possuem atividade antioxidante no organismo, entretanto, inibem a formação de peroxidases (Figura 1), podendo ter implicações na doença cardiovascular, tumorigênese e também no funcionamento da tireóide (CAI; WEI, 1996).
Considerando todo o exposto, cabe ao nutricionista identificar os nutrientes necessários para formação dos hormônios tireoideos, favorecendo sua produção, transporte e utilização, para que possam ser minimizadas as consequências do hipotireoidismo e estabilização da doença.

Karina Nunes de Simas
Nutricionista
Mestre em Ciência dos Alimentos - UFSC
Pós graduanda em Nutrição CLínica Funcional

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARRA, G.B.; VELASCO, L.F.R.; PESSANHA, R.P. et al. Mecanismo Molecular da Ação do Hormônio Tireoideano. Arq Bras Endocrinol Metab. v. 48, n.1, Fevereiro 2004.

BLEICHER, L. 2005. 87p. Estudos estruturais do receptor do hormônio tireoidiano (TR) e modelagem por homologia da globulina de ligação à tiroxina (TBG). Dissertação. Universidade de São Paulo (Mestrado em Ciências: física aplicada), São Carlos.

CAI, Q.; WEI, H. Effect of dietary genistein on antioxidant enzyme activities in SENCAR mice. Nutr Cancer. v.25, p.1-7, 1996. .

CERQUEIRA, E.P.; SILVA, A.F.; CHAGAS, C.F. O Livro do Corpo Humano: um guia ilustrado de sua estrutura, funções e disfunções. São Paulo: Ciranda Cultural, 2007. (Tradução/Livro).

KOPP, W. Nutrition, evolution and thyroid hormone levels – a link to iodine deficiency disorders? Medical hypotheses. v..62, n.6, p.871-875, 2004.

LINDSAY, R.S.; TOFT, A.D. Hypothiroidism. Lancet. In: UNDERWOOD, E.J, SUTTLE, N.F. The Mineral Nutrition of livestock. 3 ed. Wallingford,UK: CABI Publishing, 1999. p.349:413.
Parte inferior do formulá
MCMILLAN, C.; BRADLEY, C.; RAZYI, S. et al. Evaluation of new measures of the impact of hypothyroidism on quality of life and symptoms: the ThyDQoL and ThySRQ. International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR). v.11, n.2, p.285-294, 2008.

NAVES, A. Hormônios tireoidianos. In: NAVES, A. Nutrição Funcional: modulação hormonal. 1. ed. São Paulo: VP Editora, p.185-234, 2010.

PONTES, A.A.N.; ADAN, L.F.F. Interferência do Iodo e Alimentos Bociogênicos no Aparecimento e Evolução das Tireopatias. Revista Brasileira de Ciências da Saúde. v.10, n.1, p.81-86, 2006.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Confira as fotos do I Encontro de Entidades de Nutrição Baixada Santista.

Gostaríamos de agradecer a participação dos profissionais e estudantes da região, que prestigiaram as discussões das Entidades da categoria de Nutricionistas e Técnicos em Nutrição: Sindicato de Nutricionistas do Estado de São Paulo (SINESP), Associação Paulista de Nutrição (APAN), Sindicato dos Técnicos em Nutrição (SINTENUTRI), Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (CRN-3) e Vigilância Sanitária do Município de Santos.

Esperamos contar com a participação de todos em nosso próximo evento: I Jornada Santista de Nutrição (I JOSAN), no dia 05 de novembro no SESC Santos. Agende-se! Logo serão postadas informações sobre a JOSAN no blog, para que vocês possam se programar.


















segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Anemia ferropriva na primeira infância

Devido ao crescimento acelerado aliado ao desmame precoce e o baixo consumo de fontes de ferro na alimentação complementar, as crianças menores de 2 anos são particularmente vulneráveis à deficiência de ferro (DUARTE et al, 2007).
A anemia ferropriva é a carência nutricional mais prevalente no mundo, acarretando prejuízos a curto e longo prazo no desenvolvimento neuropsicomotor e na aprendizagem, além de comprometimento na resposta do sistema imunológico (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2007).
O desmame precoce é um fator determinante nesta fase no desenvolvimento desta carência nutricional, principalmente quando a criança é alimentada com leite de vaca (REIS et al., 2010; GOLIN et al., 2011)
Segundo Oliveira e Osório (2005), o ferro do leite materno é altamente biodisponível, uma vez que aproximadamente 50% dele é absorvido, enquanto que o leite de vaca não fortificado ou a fórmula à base de leite de vaca têm apenas de 10 à 20% de absorção. Os alimentos de desmame com baixa biodisponibilidade também podem interferir na absorção do ferro presente no leite materno.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (2007), são considerados sob risco de desenvolver deficiência de ferro:

- Recém nascidos prematuros, pequenos para idade gestacional e filhos de mães diabéticas.
- Lactentes com curta duração de aleitamento materno exclusivo, aqueles alimentados com leite de vaca e outros que recebem alimentação complementar com baixo teor e/ou com baixa biodisponibilidade de ferro.
- Crianças e adolescentes portadores de doenças crônicas e/ou com indicadores socioeconômicos de pobreza.

Por fim, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida da criança e mantido até os 2 anos ou mais, aliado a uma alimentação nutricionalmente balanceada, com alimentos ricos em ferro e vitamina C é importante na prevenção desta carência nutricional predominante nesta faixa etária.

Christiane A. Rezitano
Nutricionista
Responsável Técnica da Gota de Leite, Santos-SP
Pós graduanda em Nutrição Clínica


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DUARTE L. S.; FUJIMORI E.; MINAGAWA A. T.; SCHOEPS F. A.; MONTERO R. M. J. M. Aleitamento materno e níveis de hemoglobina em crianças menores de 2 anos em município do Estado de São Paulo, Brasil. Rev. Nutr., Campinas, v.20, n. 2, p.149-157, março/abril 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Anemia Carencial Ferropriva. Fevereiro 2007.

REIS M. C. G.; NAKANO A. M. S.; SILVA I. A.; GOMES F. A.; PEREIRA M. J. B. Prevalência de anemia em crianças de 3 a 12 meses de vida em um serviço de saúde de Ribeirão Preto, SP, Brasil. Rev Latino-Am. Enfermagem. julho – agosto 2010.

GOLLIN C. K.; TOLONI M. H. de A.; SILVA G. L.; TADDEI J. A. de A. C. Erros alimentares na dieta de crianças freqüentadoras de berçários em creches públicas no município de São Paulo, Brasil. Rev. Paul. Pediatr. v. 29, n. 1, p. 35-40, 2011.
OLIVEIRA M. A. A.; OSÓRIO M. M. Consumo de leite de vaca e anemia ferropriva na infância. Jornal de Pediatria. v. 81, n. 5, 2005.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Panelas: escolha adequada para segurança nutricional

Esta sempre foi uma grande dúvida para todos que trabalham com alimentos. Será que as panelas que utilizamos trazem efeitos negativos às preparações? Existem panelas de diversos materiais, tanto artesanal como industrial, e cada uma delas tem suas vantagens e desvantagens para a segurança nutricional e alimentar (SAN).
Segundo Quintaes (2000) “é impraticável pensar na nutrição isolada dos utensílios para alimentos, uma vez que estes são indispensáveis no preparo e na elaboração culinária”.
Assim sendo, o objetivo deste artigo é, através da revisão de literatura científica, relatar estas vantagens e desvantagens.
a) Barro: ideal para preparo de molhos e ensopados. Realça o sabor dos alimentos. Cuidados na limpeza são fundamentais, pois a porosidade do barro favorece a penetração de alimentos, aumentando muito os riscos de contaminação microbiológica (PEREIRA, 2008). Segundo Quintaes (2005) demora para esfriar o alimento e pode ser levada à geladeira e ao forno.
b) Teflon® ou T-fal: É antiaderente, não havendo a necessidade de uso de gorduras para cozinhar. O teflon é uma barreira para passagem de metais prejudiciais à saúde. Quem confere esta propriedade antiaderente à panela é a presença de politetrafluoretileno (PTFE – polímero cuja fórmula leva carbono e flúor). Porém, o PTFE decompõe-se a partir de 342ºC e nessa temperatura o material perde sua característica antiaderente e libera uma fumaça indesejável, iniciando o processo de decomposição do PTFE em PFOA (composto feito de carbono e flúor), substância suspeita de graves agressões ao meio ambiente (MABURY, 2001).
Estudos do Instituto de Química da USP mostram que o uso contínuo de panelas de teflon® podem causar danos respiratórios em seres humanos. (GODOY, 2008).
Para minimizar os riscos com o uso do PTFE, segundo Quintaes (2000) bastam três atitudes: 1ª) não colocar a panela vazia no fogo direto; 2ª) não realizar frituras e 3ª) não usar formas para assar alimentos quando é sabido que a temperatura ultrapassará os 300ºC. Nas três situações a precaução é não expor o PTFE a uma temperatura superior aos 300ºC.
c)  Esmaltadas ou ágata: Não permitem a proliferação bacteriana em função de sua superfície lisa; também é atóxica, já que não libera nenhum metal pesado quando do cozimento ou uso (QUINTAES, 2005).
d)  Alumínio: de maior risco, pois o material pode liberar metais tóxicos e há risco de contaminação química dos alimentos. Já é conhecido que os utensílios de alumínio são vulneráveis à degradação, principalmente por alimentos de pH ácido. Os estudos indicam que vários são os fatores que influenciam a migração do alumínio do utensílio: a qualidade da liga do alumínio utilizada pela indústria, o tempo de uso do utensílio, o tempo de duração da cocção dos alimentos, o pH do alimento, a presença de sal ou açúcar, dentre outros. Este metal está associado a doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer, por isso é aconselhável que seu uso na culinária seja evitado (QUINTAES, 2000).
e) Cobre: ideal para alimentos que necessitem de cozimento lento como moqueca e galinhada. Conserva melhor a temperatura economizando gás. Segundo Quintaes (2005), aquece de maneira rápida e homogênea o alimento e são mais indicadas para alimentos que não sejam ácidos, preparações à base de leite e massas finas de panquecas. Cabe ressaltar que o excesso de cobre solúvel no organismo humano (hipercupremia) pode ser tóxico devido à afinidade do cobre com grupos S-H de muitas proteínas e enzimas, podendo ser um dos fatores causadores de epilepsia, melanomas, artrite reumatóide e doenças psiquiátricas (AZEVEDO et al., 2003).
 
f) Vidro: não interfere no sabor dos alimentos e conserva melhor a temperatura, porém, não aquece de maneira homogênea e o fundo por aquecer primeiro pode queimar o alimento. Não é tóxica, já que não libera nenhum metal pesado quando em uso (QUINTAES, 2005).


g) Pedrão sabão (esteatito): não interfere no sabor dos alimentos, ressaltando-o ainda mais e conserva melhor a temperatura. Estudos mostram que os principais metais que são liberados pela pedra são cálcio, magnésio, ferro e manganês (QUINTAES, 2004).
h) Ferro: ideal para cozidos, conserva melhor a temperatura, economizando gás. Contribui para o aumento de ferro nos alimentos que cozinha. Quanto mais velha a panela maior a liberação do mineral. Kakade e Agte (1997) utilizaram em seu experimento diversos alimentos e compararam a cocção destes em utensílios de ferro e em utensílios de ferro antiaderentes. Os autores concluíram que a quantidade de ferro migrante dos utensílios de ferro é bastante superior a dos utensílios de ferro antiaderentes. Segundo Quintaes (2000) o uso de utensílios de ferro na cocção dos alimentos aumenta significativamente a quantidade de ferro consumida. Lembrando que o consumo excessivo de ferro pode promover reações oxidativas no organismo, aumentando a produção de radicais livres.
i)  Aço inoxidável: conserva melhor a temperatura, podendo ir ao forno. Não é indicada para fritura, pois aquece demais, levando a formação do ponto humeo da gordura rapidamente. Libera níquel, ferro e cromo. Os utensílios de inox contribuem na ingestão de ferro e cromo, ambos nutrientes essenciais. Entretanto o níquel é tóxico à saúde, e por isso antes de utilizá-la recomenda-se a fervura por no mínimo quatro vezes. (QUINTAES, 2004).
j)  Cerâmica: sua pintura interna pode conter óxidos de chumbo e cádmio. Por isso existe uma legislação específica na fabricação de panelas neste material. Geralmente leva tempo para aquecer o alimento, mas isso pode variar em função da cor e espessura da cerâmica. Demora para esfriar o alimento e pode ser levada à geladeira e ao forno. (QUINTAES, 2005).
Conclui-se, portanto, que temos que ter muito critério na escolha de nossas panelas para garantir o melhor preparo e valor nutricional dos alimentos. Não se recomenda a utilização de panelas de cerâmica e alumínio, pois são as mais perigosas na eliminação de substâncias tóxicas nos alimentos.
Gláucia Cristina Conzo
NutricionistaNutricionista do SESI Santos
Especialista em Saúde Coletiva pela ASBRAN
Aperfeiçoamento em Nutrição preventiva e gerontologia pela UNIFESP
Pós-graduanda em educação pela UNIP

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, S.M. Levantamento da contaminação por cobre nas aguardentes de cana de açúcar produzidas em
Minas Gerais. Ciência Agrotec., v.27, p.618-624, 2003.
GODOY, S.N. Panelas e frigideiras antiaderentes na fogueira. Revista Química USP, set., 2008.
KAKADE, V.; AGTE, V. Effect of using iron utensils vis-a-vis teflon-coated non stick wares on ionisable iron content of tradicional vegetarian foods. Journal of the Food Science and Technology, v. 34, n.5, p. 427-430, 1997.
MABURY, S.A. et al. Thermolysis of fluoropolymers as a potential source oh halogenated organic acids in the environment. Nature, v.412, p.321-324, 2001.
QUINTAES, K.D. Utensílios para alimentos e implicações nutricionais. Revista Nutrição, v. 13, n.3, p.151-      156, 2000.
QUINTAES, K.D. Por dentro das panelas. São Paulo: Editora Varela, 2005.
QUINTAES, K.D. 2000. Panela de pedra-sabão (esteatito) como possível veículo de nutrientes
minerais. Tese de Mestrado do DEPAN. Faculdade de Engenharia de Alimentos FEA, Campinas-SP.
QUINTAES, K.D. 2004. Implicações nutricionais decorrentes do uso de panelas brasileiras de aço inoxidável, ferro e pedra-sabão (esteatito). Tese de Doutorado do DEPAN. Faculdade de Engenharia de Alimentos FEA, Campinas-SP.

domingo, 14 de agosto de 2011

A importância dos ovos para técnica dietética e saúde

O ovo é um corpo unicelular formado no ovário de animais como a galinha, pata, codorna, gansa e de peixes. Ele tem três principais componentes: casca, clara e gema, das quais podemos destacar as seguintes características:

  • A casca é composta por carbonato de cálcio, possui pequenos poros para troca de gases, cobertos por uma cutícula de cera, que impede a perda de água e a entrada de microorganismos. Por isso não podemos lavar os ovos antes do armazenamento em geladeira (PHILIPPI, 2003). Sempre devemos lavá-los segundos antes de sua utilização e lavar somente com água (PHILIPPI, 2003), já que os ovos deverão ser cozidos para o consumo, descartando, portanto, a possibilidade de contaminação microbiana se preparado adequadamente.
  • A clara é composta por uma espessa mistura de proteínas e água e uma destas proteínas, a lisozima, atua sobre as bactérias, ajudando na proteção do conteúdo da invasão bacteriana (PHILIPPI, 2003).
  • A gema é composta por carotenóides, proteínas e gorduras. Uma destas proteínas é a fosfovitina, considerada um agente antianêmico por se ligar ao ferro da gema (PHILIPPI, 2003).

Os ovos têm inúmeras funções nas preparações, como em cremes, molhos e sopas para espessar; nas mousses e suflês para crescer, aerar; nos bolos, pudins com o objetivo de unir; em maioneses, recheios e sorvetes para emulsificar; além de decorar, vedar e cobrir preparações à milanesa. Os ovos são um dos ingredientes mais úteis e valiosos na cozinha, sendo que muitas receitas não seriam possíveis sem suas qualidades e funções (ARAÚJO, 2007).
Não existe mais o grande tabu que o ovo é o inimigo da hipercolesterolemia. Segundo um estudo realizado por Fornés (2008) com 1045 adultos na cidade de Cotia/SP o consumo de 02 ovos diários teve um impacto de somente 5,8 mg/dL no aumento do LDL-c. Sabemos que o conjunto de uma alimentação equilibrada, aliada a exercícios físicos e qualidade de vida auxiliará no controle e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.
O consumo de 02 ovos/dia fornece metade das necessidades diárias de colina num indivíduo adulto, sendo este nutriente fundamental para o funcionamento cerebral e formação celular (FORNÉS, 2008). Podemos afirmar, segundo Nakamura et al. (2006), que a presença dos fosfolipídeos dos ovos reduzem a absorção de colesterol, evitando a formação de placas de ateroma, além de seu perfil de gorduras monoinsaturadas exercer importante papel cardioprotetor.
Cabe lembrar que o colesterol está presente em todos os alimentos de origem animal e que o excesso de alimentos ricos em carboidratos simples como em farinhas refinadas, açúcar, doces e refrigerantes também podem influenciar na elevação da LDL-c.

Gláucia Cristina Conzo
Nutricionista do SESI Santos
Especialista em Saúde Coletiva pela ASBRAN
Aperfeiçoamento em Nutrição Preventiva e Gerontologia pela UNIFESP
Pós-graduanda em educação pela UNIP


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PHILIPPI, S. T. Nutrição e técnica dietética. 1ª ed. Barueri: Ed. Manole, 2003.
ARAÚJO, W.M.C. et al. Alquimia dos Alimentos. 1ª ed. Brasília: Ed. SENAC, 2007.
FORNÉS, N.S. et al. Frequência de consumo alimentar e níveis séricos de lipoproteínas na população de Cotia, São Paulo, Brasil. Revista Saúde Pública, p.380-387, v.34, n.4,  2008.
NAKAMURA, Y. et al. Egg consumption, serum total cholesterol concentrations and coronary heart disease incidence: Japan public health Center based prospective study. British Journal of Nutrition, v.96, p.921-928, 2006.

domingo, 7 de agosto de 2011

Aleitamento materno na prevenção da obesidade

Encontram-se bem definidos na literatura cientifica os benefícios do aleitamento materno. A Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade, sendo continuado até os 2 anos (WHO, 2001). Considera-se aleitamento materno exclusivo quando a criança recebe apenas leite materno da mama ou extraído, sem nenhum outro líquido ou sólido, com exceção de medicamentos (RAMJI, 2009).
Segundo Novaes et al. (2009), o aleitamento materno exerce efeito protetor na obesidade infantil, sendo provável seu impacto positivo na saúde pública.
A hipótese de que o aleitamento materno teria efeito protetor contra a obesidade apresenta evidências epidemiológicas a seu favor, bem como plausibilidade biológica, contudo, dados disponíveis na literatura ainda são controversos (BALABAN; SILVA, 2004).
Um hormônio importante na etiologia da obesidade é a leptina, produzida principalmente nos adipócitos, que sinaliza para o hipotálamo o tamanho das reservas energéticas representadas no tecido adiposo. Sabe-se que altos níveis de leptina inibem o apetite, a menos que exista resistência a este hormônio (BALABAN; SILVA, 2004; NOVAES et al., 2009).
Estudo recente identificou a presença de leptina no leite humano, a qual poderia desempenhar papel regulador no metabolismo do lactente, visto que o hormônio em questão tem ação inibidora do apetite e das vias anabólicas, sendo estimulador das vias catabólicas (NOVAES et al. 2009).
A obesidade e outras Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) representam um desafio para profissionais da saúde que trabalham com crianças. Apesar do número de trabalhos científicos relacionando os benefícios da amamentação para a prevenção de doenças, Novaes et al. (2009) afirma a limitação dos trabalhos desenvolvidos, pois normalmente possuem reduzido tamanho amostral, dificultando as conclusões.
Mesmo apresentando tantas limitações das revisões bibliográficas a respeito da amamentação e DCNT, os autores acreditam na proteção do leite humano contra doenças crônicas, porém, pouco se conhece sobre a complexidade deste alimento em relação aos fatores estimuladores e moduladores para a saúde humana.  No entanto, apesar de razões adicionais para promoção do aleitamento materno, a proteção da amamentação contra doenças crônicas é relativamente pequena, em comparação com outros fatores, tais como obesidade dos pais, hábitos alimentares e prática de atividade física da criança. Sendo assim, faz-se necessárias mais investigações para confirmar a hipótese que aleitamento materno pode afetar o desenvolvimento de doenças crônicas em fases posteriores da vida (NOVAES et al., 2009).

Christiane A. Rezitano
Nutricionista
Responsável técnica Gota de Leite, Santos-SP
Pós graduanda em Nutrição Clínica

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BALABAN, G.; SILVA, G.A.P. Efeito protetor do aleitamento materno contra a obesidade infantil. Pediatr. v.80, n.1, p.7-16, 2004.

NOVAES, J.F.; LAMOUNIER, J.A.; FRANCESCHINI, S.C.C.; PRIORE, S.E. Efeitos a curto e longo prazo do aleitamento materno na saúde infantil. Nutrire: Rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. v.34, n.2, p.139-160, ago. 2009.

RAMJI, S. Impact of infant & young child feeding & caring practices on nutritional status & health. Indian J Med Res. v.130, n.5, p. 624-626, nov. 2009.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. The optimal duration of exclusive breastfeeding. Report of an Expert Consultation. Geneva, Switzerland: WHO, 2001.

Imagem Royalt free: www.corbis.com.br

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Obesidade e Síndrome Metabólica

Sabe-se que a obesidade é uma doença complexa de etiologia multifatorial, com sua própria fisiopatologia e comorbidades associadas. Assim, aceitar a obesidade como uma doença é fundamental para o seu tratamento (SINAIKO, 2007).
Nesse sentido são abordadas doenças associadas ao sobrepeso e obesidade nas seguintes situações: hipertensão arterial sistêmica, diabetes, estado pró-inflamatório do obeso e síndrome metabólica (WANDERLEY; FERREIRA, 2010).
De acordo com I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica, esta Síndrome é definida como um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares relacionados à deposição central de gordura e à resistência à ação da insulina. Entre esses fatores de risco, incluem-se a dislipidemia, a obesidade, a alteração na homeostase glicêmica e a hipertensão arterial (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2005). Segundo Rodrigues et al. (2010) a prevalência de Síndrome Metabólica na população em geral é de aproximadamente 24%, chegando mais de 80% entre os pacientes com Diabetes tipo 2. Ainda na opinião do autor a Síndrome Metabólica é um importante fator de risco de mortalidade precoce em indivíduos não diabéticos.
Diferentes Instituições americanas propuseram consenso único e global, que consideram para o diagnóstico da Síndrome Metabólica pelo menos três situações: circunferência da cintura, triglicérides, pressão arterial e glicemia elevadas e HDL colesterol baixo, ou uso de medicação no caso das quatro últimas situações (ALBERT et al., 2009 apud SÁ; MOURA, 2010). Os pontos de corte determinados pela National Cholesterol Education Program (NCEP) para a classificação da Síndrome Metabólica vêm destacados no Quadro 1.
Quadro 1 – Componentes da Síndrome Metabólica segundo NCEP ATP III


O objetivo principal do diagnóstico da Síndrome Metabólica é desenvolver um adequado tratamento e controlar os fatores de risco que potencializam o quadro, na medida em que as doenças que compõem esta síndrome são crônicas e suas seqüelas praticamente irreversíveis.
Sendo assim, é fundamental para a prevenção, assim como no tratamento da Síndrome Metabólica, a adoção de um plano alimentar saudável, se possível, aliado à prática de atividade física. O plano alimentar deve ser individualizado e contribuir para a perda de peso sustentável de 5% a 10% de peso corporal inicial (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2005). É importante que sejam ajustadas deficiências nutricionais, normalmente associadas aos micronutrientes (vitaminas e minerais), já que atualmente grande parte da população sofre com a fome oculta; além da adequação dos macronutrientes a níveis desejáveis recomendados. Os compostos bioativos dos alimentos podem contribuir para a redução da inflamação e estresse oxidativo causados pela Síndrome Metabólica. 

Silvia Marques de Lima
Nutricionista Responsável Técnica pelo Lar das Moças Cegas
Professora do Curso Técnico de Nutrição


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RODRIGUES, T.C.; CANINI, L.H.; GROSS, J.L. Síndrome metabólica, resistência à ação da insulina e doença cardiovascular no diabete melito tipo 1. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v.94, n.1, p. 134-139, 2010.
SÁ, N.N.B.; MOURA, E.C. Fatores associados à carga de doenças da síndrome metabólica entre adultos brasileiros. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.26, n.9, p.1853-1862, set., 2010.

SINAIKO, A. Obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v.83, n.1, p.3-5, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros de cardiologia, v.86, p.1-28, abril 2005.

WANDERLEY, E.N.; FERREIRA, V.A. Obesidade: uma perspectiva plural. CIência & Saúde Coletiva, v.15, n.1, p.185-194, 2010.



                                                                                 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Psoríase e Nutrição: existe alguma relação?

A psoríase é uma doença inflamatória (ARAÚJO; BURGOS; MOURA, 2009) caracterizada pela infiltração de células T e macrófagos na derme (SOYLAND, 1993). Esta infiltração gera um processo inflamatório, com a liberação de citocinas inflamatórias, contribuindo para a geração de lesões eritematoescamosas, aumentando a proliferação celular e padrões anormais de diferenciação dos queratinócitos (WOLTERS, 2005).
A causa da psoríase ainda é desconhecida, porém, alguns autores apresentam a predisposição genética associada a fatores ambientais (fumo, álcool, alimentação, infecções, drogas e eventos estressantes) como os principais envolvidos em sua etiologia (WOLTERS, 2005; ARAÚJO; BURGOS; MOURA, 2009).
Dentre os aspectos dietéticos, dietas hipocalóricas e vegetarianas são apresentadas por alguns autores como relevantes para a melhoria das lesões da pele desses indivíduos, sendo justificada sua ação pela redução da ingestão de ácido araquidônico (AA). Lembrando que o AA é produzido após a cascata de “transformação” do ácido graxo ômega-6 (ácido linoléico), que possui importante papel no processo inflamatório do organismo. Atualmente, o desequilíbrio entre o consumo de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 favorece o processo de inflamação e prejudica ainda mais as lesões da psoríase. A redução do consumo de calorias minimiza a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), que normalmente são produzidas durante a cadeia respiratória. Quanto maior a produção de EROs, maior o estresse oxidativo e pior será o resultado das lesões psoriáticas.
Segundo Araújo, Burgos e Moura (2009) as vitaminas E (KHARAEVA, 2009), C e A são indispensáveis para a redução do estresse oxidativo (antioxidantes exógenos), assim como Zn e Se que são essenciais para o funcionamento adequado dos antioxidantes endógenos enzimáticos: Superóxido dismutase (SOD) e glutationa peroxidase (GPx), respectivamente. Sem dúvida que a presença de alimentos funcionais contendo compostos bioativos com ação antioxidante também podem contribuir para a melhoria do estresse oxidativo gerado pela doença.
Além disso, não devem faltar alimentos com caráter antiinflamatório na dieta desses indivíduos, dentre eles estão aqueles fontes de ômega-3 como peixes de águas frias (sardinha, cavala, arenque, salmão, que são fontes de EPA e DHA), linhaça (fonte de ácido alfa linolênico (ALA)) e óleo de linhaça (fonte de ALA).
Sendo assim, é indiscutível a importância da alimentação para indivíduos com psoríase, favorecendo em grande escala o avanço do tratamento medicamentoso. Cabe lembrar que devem ser avaliados os medicamentos utilizados na psoríase, uma vez que podem interferir na biodisponibilidade de nutrientes ou provocar deficiências nutricionais, além da influência do nutriente sobre a ação do medicamento.

Karina Nunes de Simas
Nutricionista
Mestre em Ciência dos Alimentos
Pós graduanda em Nutrição Clínica Funcional


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, M.L.D.; BURGOS, M.G.P.A.; MOURA,I.S.C. Influências nutricionais na psoríase. Anais Brasileiros de Dermatologia. v.84, n.1, p. 90-92, 2009.  
CLINICAL GUIDE TO NUTRITION & SUPPLEMENTS IN DISEASE MANAGEMENT. Psoriasis. Cap. 42, p. 411, 2003.  
KHARAEVA, Z. et al. Clinical and biochemical effects of coenzyme Q 10, vitamin E, and selenium supplementation to psoriasis patients. Nutrition. v.25, n.3, p.295-302, 2009.  
NUTRITION INFORMATION CENTRE UNIVERSITY OF STELLENBOSCH. Psoriasis and nutrition. Disponível em: http://sun025.sun.ac.za/portal/page/portal/Health_Sciences/English/Centres%20and%20Institutions/Nicus/Nutrition_Facts_sheets/Psoriasis%20and%20Nutrition.pdf. Acesso dia: 26 de junho de 2011.  
SOYLAND, E. et al. Effect of dietary supplementation with very long chain n-3 fatty acids in patients with psoriasis. New England Journal of Medicine., v.328, p.1812-1816, 1993.
WOLTERS, M. Diet and psoriasis: experimental data and clinical evidence. British Journal of Dermatology. v.153, p. 706-714, 2005.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Por que não devemos deixar alimentos dentro de latas? Qual o procedimento correto?

Embalagens de metal são utilizadas há décadas para conservação de alimentos, para não haver alteração do alimento armazenado. A lata recebe uma cobertura interna de verniz, que impede que o alimento interaja com o metal. Quando abrimos a lata, rompemos a proteção de verniz, o alimento entra em contato direto com o metal e se conservado dentro da mesma, poderá se contaminar, provocando alterações nas características químicas e sensoriais do alimento, tornando-o impróprio para o consumo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGENS, 2011). 
A parte interna das latas exige tratamento cuidadoso, de modo a garantir proteção tanto ao produto embalado, quanto ao aço da embalagem. No caso dos alimentos, a preocupação é maior, tanto que os revestimentos precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (BRASIL,1996). Falhas do verniz podem permitir a contaminação do produto embalado, além de facilitar a proliferação de bactérias, entre as quais as do gênero Chlostridium, produtores da toxina botulínica (PINTO,1996).
De acordo com Silva Jr. (2010) o botulismo é uma forma de intoxicação alimentar que pode matar se não tratada a tempo. Quando o alimento é ingerido, a toxina é absorvida pelo aparelho digestório e entra na corrente sanguínea. Uma das principais conseqüências da intoxicação é a paralisia dos músculos, que é frequente entre os que estão sob efeito da toxina. Os sintomas da intoxicação pela toxina botulínica normalmente aparecem entre doze e trinta horas após a ingestão do alimento contaminado, sendo alguns deles: aversão à luz; visão dupla com dilatação da pupila; disfagia; paralisia respiratória, podendo levar à morte; constipação intestinal; retenção urinária e debilidade motora (SILVA JR., 2010).
Um outro ponto a ser destacado nos alimentos enlatados é a presença de resina epóxi e organosols de PVC, que fazem parte do verniz de proteção interna em latas de alimentos e bebidas, e também possuem o objetivo de proteção interna impedindo o contato de alimentos com os metais constituintes das latas. Entretanto, esse revestimento de latas pode apresentar resíduos de bisfenol A (BPA), que migram para os alimentos, especialmente quando em elevada temperatura. O BPA é considerado um disruptor endócrino, que imita a ação de nossos hormônios, trazendo diversas conseqüências ao organismo. A Diretiva Comissão Européia determinou um limite de migração específica de BPA de 0,6 µg/g de alimento (CAO et al., 2011).
Segundo estudo desenvolvido por Cao et al. (2011), em um total de 154 amostras de alimentos enlatados avaliadas na Cidade de Quebec (Canadá) quanto ao teor de BPA, 35 % das amostras (55) estavam com concentrações elevadas dessa substância, demonstrando que podem migrar ao alimento. Elevadas concentrações foram encontradas em peixe enlatado (106 ng/g), seguido por milho enlatado (83,7 ng/g), sopa enlatada (22,2 a 44,4ng/g), feijão enlatado (23,5 ng/g) e ervilha enlatada (16,8 ng/g).
Noonan, Ackerman e Begley (2011) detectaram a presença de BPA em 71 amostras de alimentos enlatados de 78 avaliadas. As concentrações encontradas foram de 2,6 a 730 ng/g. A elevada variação apresentada foi encontrada entre tipos de alimentos diferentes e diferentes lotes de um mesmo produto. Apesar da concentração de BPA ser menor que o limite máximo permitido (0,6 µg/g) apresentado anteriormente, destaca-se a preocupação com o excessivo consumo de alimentos enlatados.
Sendo assim, Santos Jr. (2008) recomenda que após a abertura de um alimento enlatado, a sobra da lata deve ser transferida para recipientes plásticos transparentes ou recipientes de vidro com tampa, etiquetando com nome do produto, fabricante, data de abertura da lata e validade (conforme indicação do fabricante ou conforme descrito na legislação vigente). Outra possibilidade é a transferência para sacos plásticos transparentes resistentes próprios para alimentos, sendo esta embalagem considerada primária, devendo ser protegida novamente com outro saco e etiquetada (SANTOSJR,2008).

PATRÍCIA CARMINA CARVALHO DOS SANTOS
Nutricionista
Técnica em Nutrição e Dietética
Assessoria em Nutrição em Unidades Produtoras de Refeições



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGENS. Anexo – Segurança alimentar e Embalagens. Disponível em: www.abre.org.br. Acesso dia: 07 de julho de 2011.  

CAO, X.L.; PEREZ-LOCAS, C.; DUFRESNE, G.; CLEMENT, G.; POPOVIC, S.; BERALDIN, F.; DABEKA, R.W.; FEELEV, M.  Concentrations of bisphenol A in the composite food samples from the 2008 Canadian total diet study in Quebec City and dietary intake estimates. Food Additives and Contaminantes, v.28, n.6, p.791-798, 2011.

NOONAM, G.O.; ACHEMAN, L.K.; BEGLEY, T.H. Concentration of Bisphenol A in Highly Consumed Canned Foods on the U.S. Market. Journal of Agricultural of Food Chemistry, v.59, n.13, p. 7178-7185,  2011.

SANTOS JR., C.J. Manual de Segurança Alimentar.  Rio de Janeiro: Editora Rubio, p.85-86, 2008.

SILVA JR., E.A. Manual de Controle Higiênico-Sanitário em Serviços de Alimentação. São Paulo: Editora Varela, 6 ed, p.49-55, 2010.

PINTO, A.F.M.A. Papel dos Microrganismos na Produção e na Transformação de Alimentos. Terra Fértil, v.1, p. 55-61, 1996.

BRASIL. Portaria nº. 28/MS/SNVS, 18 de março de 1996. Aprovar o regulamento técnico sobre as embalagens e equipamentos metálicos em contato com alimentos. Diário oficial 20 de março de 1996.


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